OSSO DURO DE ROER: Pedido de Cassação de vereadora pode ser fake, entenda

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp

Possível intimidação, coação e suspeita de fraude são relatadas nesta reportagem

Os bastidores da votação na Câmara de Vereadores realizada na quinta-feira (12) e que rejeitou o pedido de cassação da vereadora Carol Dedonatti, a “protetora” Carol teve nuances de filme “hollywoodiano”.

Tudo começou antes mesmo do início da votação. Alguns vereadores e jornalistas receberam via aplicativo whatsapp um vídeo, aparentemente uma montagem (deep fake), onde uma protetora que lidera grupos contra a vereadora Carol aparece em cenas de sexo explícito. O material suspeito foi enviado por um número de celular paraguaio na madrugada da quinta-feira (12).

Vereadores, de forma anônima, procuraram nossa equipe de reportagem e relataram sofrer ameaças vindas também do mesmo número, antes da votação.

Jornalistas e vereadores presentes também relataram tentativas de intimidação vindas, principalmente, do companheiro da Protetora Carol. O policial civil Stanley Alves está lotado na delegacia de São Miguel do Iguaçu.

“Na abertura do expediente na Câmara ele se mantinha no rol de acesso e muitos que lá chegavam sentiam-se intimidados. Além disso, em vários momentos vimos ele circulando em áreas restritas da Câmara, entrando em gabinetes e conversando com vereadores”, relatou uma jornalista presente na sessão do dia 12. 

“Sofremos uma espécie de tentativa de coação velada” diz vereador que não quis se identificar.

Na sessão realizada logo em seguida, maioria dos vereadores rejeitou o pedido de cassação da parlamentar.

Foram 10 votos contrários à aceitação e três votos favoráveis. Votaram contra o prosseguimento da representação: Adnal El Sayed e Kalito Stoeckl, ambos do PSD, Cassol (Podemos), Edvaldo Alcantara (PTB), Maninho (PSC), Jairo Cardoso (União Brasil), Anice Gazzaoui (PL), Protetora Carol Dedonatti (PP), Galhardo (Republicanos) e Freitas (PSD).

Os vereadores Rogério Quadros (PTB), Yasmin Hachem (MDB) e João Morales (União Brasil) votaram pela aceitação. Não votaram: o vereador Ney Patrício (PSD), por ser o presidente e o vereador Alex Meyer (PP), ausente, por representar o Legislativo em agenda externa.

Pedido sob suspeita

Não fosse toda a situação relatada durante a sessão da Câmara de vereadores, recebemos informações e questionamentos sobre a verdadeira autoria do pedido de cassação.

Nossa equipe de jornalismo em parceria com o repórter investigativo Ed Queiroz do Grupo Mundial de Comunicação decidiu checar in loco todas as informações recebidas.

Procurado no endereço indicado como sua residência, o autor da denúncia Alexsandro Ruiz Gebing de 23 anos, morador do Porto Meira, não foi localizado e sua mãe que se encontrava no local relatou que o mesmo não residia ali e que havia recebido orientações de seu filho para que liga-se imediatamente para ele. Em entrevista exclusiva por telefone ao repórter Ed Queiroz, o autor foi questionado sobre o conteúdo do pedido de cassação e o mesmo demonstrou não ter conhecimento total sobre os possíveis crimes relatados no pedido, o que levantou muitas suspeitas.

Alexsandro disse ser motorista particular ao ser questionado sobre sua profissão e também que recebeu orientações de sua advogada para não falar com a imprensa.

A reportagem do Jornal Primeira Linha recebeu duas informações que chamaram a atenção. Alexandro, segundo dados levantados no Detran/PR, não possui carteira nacional de habilitação (CNH), documento necessário para exercer a função informada pelo mesmo.

Também, em rápida consulta ao Fórum Eleitoral, foi constatado que o jovem de 23 anos deixou de votar em todas as eleições em que estava apto.

Ao procurarmos Alexsandro Ruiz Gebing para sabermos sobre como era seu sentimento ao ver sua denúncia ser rejeitada pelos vereadores, o mesmo não retornou o contato até o fechamento desta edição.

Mais um fato que também levanta suspeição sobre a denúncia protocolada foi levantado pela nossa equipe de jornalismo . Ao questionar a advogada do autor sobre o fato que o endereço dela apresentado como de seu escritório na denúncia, simplesmente não existe, recebeu como resposta apenas a argumentação de que era um endereço antigo, coincidentemente, também de sua mãe. Nossa reportagem foi até o endereço indicado e constatou que o número sequer existe no bairro em questão e moradores relatam que o número nunca existiu. Quando perguntado sobre o motivo do denunciante e o interesse do mesmo no caso Carol Dedonatti, Wanessa Hastreiter Lima alega ter sido contratada, recebeu pelo serviço e que não poderia falar sobre o caso.

Checando todas as ligações entre a advogada, o cliente e os supostos suspeitos responsáveis pelo pedido, conseguimos identificar que a advogada Wanessa, é casada com um policial civil, que está lotado na mesma delegacia do companheiro da vereadora denunciada. Conversando com alguns vereadores para entender os reais motivos para essa possível farsa foi nos dito: “Eu votei não. Já tínhamos conhecimento das suspeitas sobre o pedido, o que acontece é que quando um pedido desse é negado, não pode ser apresentado novamente com os mesmo fatos”.

Questionamos o vereador anônimo em questão sobre se a maioria votasse sim, o que poderia acontecer? “Pelo que sabemos seria aberto a investigação e próximo ao prazo de encerramento o denunciante retiraria a denúncia e ficaria tudo como está. Por isso votei não”.

A denúncia – Linha do tempo

O pedido protocolado por Alexsandro Ruiz Gebing, que em tese se fundamentou em denúncias feitas por ex-servidoras comissionadas da Diretoria Municipal de Bem Estar Animal (Diba), por meio do Grupo Mundial de Comunicação.

Na denúncia anônima do dia 18 de abril, feita pelo Grupo Mundial de Comunicação, o denunciante contou que a vereadora exercia interferência indevida na Diba, com indícios de exigência de parte dos vencimentos de servidores subalternos, numa suposta “rachadinha”.

No dia 28 de abril, outra ex-servidora, denominada Patrícia González, fez uma nova denúncia, desta vez no jornal Primeira Linha, contando que a Protetora Carol pediu pessoalmente ao prefeito a nomeação dos servidores da Diretoria de Bem Estar Animal.

(com informações do Grupo Mundial, texto: Roberto Mafra)

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

Endereço

TORRE MARECHAL

Rua Marechal Floriano Peixoto, 960 – Centro 

Foz do Iguaçu / PR,

CEP: 85010-250

Salas: 53 e 54 – 5° Andar

Desenvolvido por: